
Em uma cerimônia histórica e emocionante, familiares de vítimas da Ditadura militar brasileira receberam, nesta quinta-feira (28), novas certidões de óbito que retificam oficialmente a causa da morte: “violência de Estado”. O ato, realizado em Minas Gerais, marca um passo crucial na busca por memória, verdade e justiça.
A audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) reuniu dezenas de pessoas. No ambiente, fotos dos 63 mortos e desaparecidos políticos mineiros decoravam as paredes, simbolizando uma presença constante e um apelo por justiça. Inicialmente, as famílias ouviram autoridades e, em seguida, participaram de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
Dessa forma, o Estado Brasileiro, por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), reconheceu formalmente que essas pessoas sofreram uma “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.
Antes disso, as certidões originais traziam informações falsas, como “suicídio” ou “acidente automobilístico”, ou eram lacônicas, baseadas na Lei 9.140/1995. Agora, os novos documentos detalham a idade, o documento de identidade e o estado civil das vítimas. Além disso, apresentam o local e da data exata do assassinato, que frequentemente ocorreu em delegacias ou centros clandestinos de tortura.
Com informações da ALMG