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Perícia aponta deficiências em condições de cavalos usados em charretes de Poços

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Perícia aponta deficiências em condições de cavalos usados em charretes de Poços
Divulgação

Um laudo pericial realizado dias 21 e 22 de fevereiro em Poços de Caldas revelou uma série de deficiências nas condições de trabalho e bem-estar dos cavalos utilizados na atividade de charretes turísticas na cidade. Dos 39 animais periciados, diversos apresentaram problemas de saúde e estruturais, incluindo anemia, alterações hematológicas, deficiência na alimentação e falta de acompanhamento veterinário regular.

Lista da prefeitura e ausência de charreteiros

A maioria apresentou documentação com número de microchip. Porém, devido à ausência de leitor de microchips, não foi possível fazer a conferência dos números. Da listagem oferecida nos autos pela prefeitura de Poços de Caldas houve a ausência de 10 charreteiros e a presença de quatro que não constavam na listagem. Além de quatro charreteiros que constavam duas charretes em seus nomes e foi periciado apenas uma.

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Problemas identificados

A perícia realizada pela veterinária Dra. Naiara Paula de Almeida, designada pela 5ª Vara Cível da Comarca de Poços de Caldas, destacou que, apesar de o laudo geral classificar a situação como “regular”, o que significa que não há caracterização de maus-tratos generalizados, foram constatadas diversas deficiências que comprometem a qualidade de vida dos animais.

Alimentação

Segundo os charreteiros, a alimentação é fornecida de 2 a 3 vezes ao dia, composta basicamente por farelo de trigo, quirela de milho, silo ou feno. Alguns poucos alegaram fornecimento de ração laminada mas o fato não pode ser comprovado, a quantidade varia de 8 a 10kg ao dia. A suplementação também se mostra deficiente, foi relatado pela maioria dar somente sal mineral e o fornecimento é racionado a alguns dias por semana, não há uma suplementação eficiente e à disposição sempre.

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Principais problemas

Saúde e nutrição: 16 cavalos apresentaram alterações no hemograma, sendo 13 com anemia e 3 com hiperproteinemia ou trombocitopenia. Um dos cavalos teve classificação com grau de bem-estar “baixo”.

Alimentação inadequada: Embora os cavalos recebam comida de duas a três vezes ao dia, a dieta não é balanceada, resultando em deficiências nutricionais.

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Falta de proteção climática: No ponto de charretes, não há proteção contra sol e chuva, deixando os animais expostos a condições climáticas adversas.

Ferrageamento inadequado: A maioria dos cavalos apresentava deficiências no casqueamento e ferrageamento, necessitando de melhorias urgentes.

Ausência de monitoramento veterinário constante: Muitos exames apresentados eram antigos, com datas de 2023, e os registros indicam que o acompanhamento não é frequente.

Infraestrutura precária nos locais de descanso: Embora os cavalos sejam mantidos em pastos nos dias de folga, um dos locais vistoriados apresentava cochos de metal enferrujados e presença de resíduos sólidos.

Presença de ectoparasitas: Pequenas infestações de carrapatos foram detectadas em praticamente todos os cavalos, algo comum para animais que vivem em pastagens, mas que requer monitoramento.

Cavalos com alterações no hemograma: A análise identificou 16 animais com anomalias sanguíneas, como anemia, hiperproteinemia, leucocitose, trombocitopenia, leucopenia.

Desconfortos

Os animais, enquanto estão no horário de trabalho, não possuem no ponto das charretes nenhuma proteção contra intempéries, sol ou chuva. Também a superfície de contato não é a indicada. O fato de ficarem com os membros anteriores em cima do passeio se deve por condicionamento. Já que, se não for assim, as charretes ficam ocupando parte da via onde transitam veículos.

Impacto no bem-estar animal e recomendações

O laudo conclui que, embora a atividade das charretes não configure maus-tratos generalizados, é necessária uma série de melhorias para garantir condições adequadas aos equinos. As principais recomendações incluem:

Implementação de sombreamento no ponto das charretes.

Manutenção e substituição de cochos enferrujados.

Regularização do casqueamento e ferrageamento.Maior frequência no acompanhamento veterinário.

Oferta de uma alimentação mais balanceada para corrigir deficiências nutricionais.

Monitoramento constante da presença de ectoparasitas.

Recomendações constantes no laudo

Sobreamento – Recomenda-se a implantação de sombreamento adequado no ponto das charretes, visando proporcionar maior conforto térmico aos animais. Além disso, melhorias na infraestrutura do local são necessárias para evitar que os equinos precisem manter os membros anteriores sobre o passeio. Uma superfície mais adequada para o local de espera dos animais também contribuiria significativamente para seu bem-estar.

Pastos – Os pastos de manutenção dos animais possuem tamanho adequado, com disponibilidade de água e sombra de qualidade. No entanto, recomenda-se melhor manutenção e limpeza no local de alojamento da primeira visita e a troca dos cochos de metal enferrujado, que podem comprometer a segurança e a higiene da alimentação.

Casqueamento – Há uma necessidade imperiosa de melhorias no casqueamento e ferrageamento dos animais, sendo esse o item que apresentou maior deficiência durante a perícia. Quase todos os cavalos avaliados necessitam de melhores condições nesse aspecto, o que é essencial para a saúde e o bem-estar de equídeos.

Treinamento charreteiros – Também há necessidade de orientação e/ou treinamento técnico dos charreteiros, pois mostram desconhecimento da forma correta de manejo, nutrição, boas práticas e sanidade, embora mostrem interesse em manter seu animal saudável.

Acompanhamento veterinário – Além disso, destaca-se a necessidade de acompanhamento médico-veterinário mais frequente, uma vez que foi comprovado atendimento apenas em 2023 e, posteriormente, somente próximo à data da perícia. Embora todos os animais apresentem bom escore corporal e um volume adequado de alimentação, alguns foram diagnosticados com anemia e/ou alterações hematológicas, o que sugere uma alimentação de qualidade nutricional insuficiente.

Conclusão

A conclusão da perícia apontou que, de maneira geral, a atividade das charretes em Poços de Caldas não configura maus-tratos aos animais, mas há diversas deficiências que precisam ser corrigidas.

O laudo classificou o grau de bem-estar dos cavalos como “regular”, com exceção de um dos equinos, que foi identificado em estado de magreza e com comportamento de medo e fuga, o que caracteriza maus-tratos. Entre os principais problemas encontrados, destacam-se a deficiência nutricional, com casos de anemia e alterações hematológicas em 16 dos 39 cavalos avaliados, além da precariedade no ferrageamento e casqueamento, considerado o aspecto mais crítico.

Outras questões incluem a falta de sombra e proteção contra intempéries no ponto das charretes. Além da necessidade de melhorias na infraestrutura do local de espera e a carência de acompanhamento veterinário frequente, já que a maioria dos atendimentos ocorreu apenas em 2023 e próximo à perícia.

A perita ressaltou que uma eventual proibição abrupta da atividade poderia trazer riscos ao bem-estar dos cavalos, já que muitos possuem idade avançada e baixo valor zootécnico, o que dificultaria sua realocação. Por isso, qualquer medida restritiva deve ser planejada para evitar abandono ou negligência dos animais.

 

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