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Variações de temperaturas trazem consequências ao clima no sul de Minas

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Variações de temperaturas trazem consequências ao clima no Sul de Minas
Em Itajubá, especialistas, deputados e representantes da sociedade civil debateram problemas e possíveis soluções (Foto Alexandre Neto)

A região sul de Minas vem registrando uma tendência de aumento da temperatura média diária e redução do nível de chuva, impactando fortemente na produção agrícola e na frequência de eventos extremos de clima. A preocupação ainda é maior ao se constatar que 80 mil pessoas da região moram em áreas de risco, com destaque para os municípios de Careaçu, onde 31,66% dos moradores estão nessa situação, e Itajubá, com 28,80%.
Esses são alguns dados revelados nesta segunda-feira (27), em Itajubá, durante o segundo encontro regional do Seminário Técnico Crise Climática em Minas Gerais: Desafios na Convivência com a Seca e a Chuva Extrema, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Panorama

Durante a manhã, o professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Benedito Cláudio da Silva, apresentou um panorama climatológico da região. Ele citou o exemplo da cidade de Passa Quatro que, desde 2008, vem apresentando aumento da temperatura. Em 2023, a cidade, que era conhecida por seu clima ameno, chegou a registrar 38°. Por outro lado, a mínima chegou a 3°.
Essas variações climáticas acabam interferindo no ciclo reprodutivo das plantas, como explicou o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Emerson Gonçalves, que, à tarde, participou do painel “Diagnóstico regional sobre os impactos da crise climática”. Segundo ele, as estações já não estão sendo tão definidas como no passado. Os invernos marcados por geadas têm apresentado essas baixas temperaturas de forma mais pontual.
Emerson Gonçalves explicou que muitas plantas precisam dos tempos mais frios para florir e frutificar e são prejudicadas com essas mudanças. Normalmente durante os meses de maio, os produtores faziam podas das vegetações que deviam florir a partir de julho.
“Como consequência das alterações, portanto, algumas frutas já estão florindo ou dando frutos, já nesse maio”, exemplificou. Dessa maneira, a produção de algumas espécies acaba ficando comprometida.
De acordo com Benedito Cláudio da Silva, a redução do volume de chuvas, registrada principalmente a partir de 2014, tem refletido na vazão do Rio Sapucaí que, junto com seus afluentes, alimenta a Usina de Furnas, estrutura importante para a geração de energia de todo o Brasil.

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Chuva, calor, geada

Paradoxalmente, tem sido frequente volume maior de chuva em tempos mais curtos, provocando alagamentos, destruição de estradas, queda de barreiras e encostas, além de comprometer a colheita agrícola. As mudanças climáticas, portanto, trazem ainda eventos severos de geadas, tempos mais longos de secas, facilitando queimadas e perda de produção. “Palavras, intenções e promessas precisam se transformar em ações concretas”, afirma o professor. Desse modo, durante o seminário, muitos participantes lembraram a enchente de 2000 vivida por Itajubá. E fazendo a comparação com o que está ocorrendo no Rio Grande do Sul. Na ocasião, as águas chegaram a ultrapassar 1,4 metro de altura, atingindo toda a cidade. Benedito da Silva lembrou que as características geográficas e climáticas da cidade são semelhantes à do Estado do Sul do Brasil, alertando, assim, para o risco de se repetir, na cidade, outro desastre até pior do que o de 24 anos atrás.
Chefe do Núcleo de Operações do Comando Especializado de Bombeiros, major Kleber Silveira de Castro ressaltou que, além de eventos como inundações e secas severas, as mudanças climáticas impactam também na ocorrência de incêndios florestais. De 2015 a 2023 houve aumento gradativo do número de queimadas em Minas, passando de 9.765 casos, para 17.127. E ainda, o ano de 2021 foi o que registrou o maior número de incêndios, 24.286.

Incêndios

Na análise do bombeiro militar as alterações no clima tendem a aumentar a incidência dos incêndios, que deverão ser enfrentados com ênfase em pesquisa, inovação tecnológica e cooperação internacional. “Mitigação com educação é fundamental”, sugeriu.

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Políticas públicas

A chuva em Itajubá impediu que o presidente da ALMG, deputado Tadeu Martins Leite (MDB), participasse do seminário, por falta de teto para o pouso do avião que o traria à cidade. Em vídeo gravado e divulgado durante o encontro, o parlamentar lembrou que o município tem registrado problemas climáticos como secas, geadas e fortes chuvas.
Ele explicou a dinâmica do seminário, que foi lançado em 14 de março, em parceria com 60 instituições da sociedade civil. A etapa de interiorização conta com sete encontros no interior, onde haverá diagnósticos dos problemas em cada região e as sugestões para enfrentamento da crise.
Na etapa final do seminário, em agosto, em Belo Horizonte, terão compilação as melhores propostas. “Queremos ao final desses encontros ter um grande diagnóstico para entender como a Assembleia, na prática, pode ajudar o Estado de Minas Gerais a enfrentar esses problemas”, afirmou Tadeu Martins Leite.
O deputado Ulysses Gomes (PT), que coordenou os trabalhos pela manhã, complementou que o relatório final terá por finalidade contribuir com propostas legislativas ou de ações de políticas públicas que possam mitigar os danos causados pelas mudanças climáticas. “O momento requer responsabilidade de todos os órgãos e agentes públicos”.
Com o mesmo raciocínio, Doutor Paulo (PRD) disse que a intenção é, com as ações, prever o futuro. “Que a gente possa com o governo do Estado, com o governo federal e com a sociedade, prever, monitorar, buscar ideias para evitar os desastres”.
Coordenador do seminário na parte da tarde, o deputado Rodrigo Lopes (União) ressaltou a importância do planejamento no enfrentamento da crise. Ele citou, por exemplo, o desastre do Rio Grande do Sul como exemplo de consequência pela falta de planejamento e de ouvir a ciência. “É um sofrimento que poderia ter sido evitado”.

Barragens

Ao considerar Minas Gerais como uma síntese do Brasil, com ocorrências tanto de excesso de chuvas como de seca extrema, Rodrigo Lopes atentou para o risco ainda maior pelo excesso de barragens existentes no Estado. “Os danos podem ser ainda piores”, advertiu.
Os alertas para novos desastres em função das mudanças climáticas foram feitos por outros participantes, como o reitor da Unifei, Edson da Costa Bortoni, segundo o qual o clima no planeta é dinâmico, mas com a interferência humana o aquecimento está se acelerando.

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