O Ministério da Saúde lançou, semana passada, em parceria com pesquisadores e epidemiologistas, a segunda fase da coleta de dados do maior estudo sobre covid-19 no Brasil, o Epicovid 2.0. O estudo servirá de ferramenta para revelar a real dimensão da pandemia no país. Diferentemente dos inquéritos anteriores, o Epicovid 2.0 não utilizará testagem para covid-19, mas questionários como instrumento de coleta de dados.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente Ethel Maciel sustenta que o Ministério da Saúde voltou a colocar a ciência como a grande mobilizadora para a instituição de políticas públicas. “Com a pesquisa, teremos dados para nos orientar. Hoje, por exemplo, não temos nenhuma estimativa sobre qual é o impacto da covid-19 longa, ou seja, as sequelas da doença na nossa população”, explica.
De acordo com a secretária, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 20% das pessoas, independentemente da gravidade da doença, desenvolvem condições pós-covid. Neste sentido, segundo ela, é preciso apurar os dados relativos ao Brasil para ampliar serviços como atendimento cardiológico, neurológico, fisioterapia e assistência em saúde mental.
Com investimento de mais de R$ 8 milhões do governo federal, o estudo tem previsão de duração de 32 meses e será coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O inquérito domiciliar tem como foco os seguintes pontos:
- Sintomas e complicações pós-covid-19;
- Infecções prévias por covid-19, sua sintomatologia, tratamento e busca por atendimento de saúde;
- Impactos da covid-19: financeiros, alimentares, educacionais, comportamentais, bem como na saúde mental e física;
- Vacinação contra a covid-19.