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“As pessoas me olhavam como um ET”, lembra Zezé Scassiotti

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Vereadora continuou o trabalho na Câmara durante o tratamento.
Vereadora continuou o trabalho na Câmara durante o tratamento.

O Poços Já Entrevista desta semana é especial. Conversamos com a economista, professora e vereadora Maria José Scassiotti, a Zezé. Ela lembra, com risadas e bom humor constantes, do período em que passou pelo tratamento de câncer de mama, há cerca de dois anos.

Demonstra gratidão quando fala dos “anjos” que a ajudaram a superar a doença, já que também recebeu ajuda e apoio de onde não imaginava. Porém, conta que precisava lidar com o sentimento de pena e por isso procurou a ajuda de uma psicóloga.

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Poços Já: Como foi o diagnóstico do câncer?

Zezé: Há muitos anos, eu sempre fazendo a mamografia, aparecia que meu seio era cheio de pequenos cistos. Por conta disso, meu médico pediu que eu fizesse um acompanhamento semestral de mamografia. Uns seis meses antes eu fiz uma mamografia e os cistos estavam lá, pequenininhos, nunca incomodaram. Seis meses depois, quando eu fiz a outra, apareceu já um nódulo do câncer.

Poços Já: Qual foi a sua primeira reação?

Zezé: Eu levei um susto, cara. Porque a gente faz a medida da vida na hora que se fala sobre câncer. Está embutido na nossa cabeça que câncer, primeiro, atinge todos os que fazem o mal. Em segundo, mata. Isso vai ficando no nosso subconsciente. Eu dei uma baqueada, chorei muito, e depois acabou. Fiz o que tinha que ser feito.

Poços Já: Você teve que fazer cirurgia?

Zezé: Teve que extirpar parcialmente o seio esquerdo, e depois entrar na quimioterapia. O seio é uma parte da beleza feminina e da maternidade feminina. Hoje eu recomendo que refaçam o seio logo após a cirurgia. Eu não fiz isso e hoje não tenho coragem de voltar para o centro cirúrgico. Eu terminei a quimioterapia dia quatro de julho e no dia oito, quando o Brasil joga, foi um dia muito triste, perdi uma grande amiga em Três Pontas e o Brasil ainda fez o favor de perder de sete a um da Alemanha (risos).

Poços Já: Como foi o período de quimioterapia?

Zezé: Quimioterapia é soro, nada mais do que isso. Mas tem uma quimioterapia vermelha, que alguns tem de tomar. Você fica ali determinado período e depois vai embora para casa, é um tratamento até simples. Mas quando foi aplicar, chegou uma moça vestida como astronauta e injetando a quimioterapia. Eu falei: “Mas eu recebo assim e você precisa de tudo isso?”. Ela falou que sim, é um tipo de terapia muito agressiva e os agentes de saúde não podem se contaminar.

Poços Já: Isso deve ser assustador mesmo.

Zezé: É, assusta. Mas tomei a primeira quimio e fui embora, não senti nada. Até três dias depois, quando vieram todos os sintomas e aquela primeira passada de mão no cabelo, que você passa e sai um tufo na sua mão. Fiquei completamente careca, você perde todos os pelos e passa muito mal, com mal-estar, dores no corpo, dói muito. Mas você tem que levar sua vida. A única coisa que eu parei foi sair da sala de aula por conta da minha baixa resistência e do número de alunos. Um resfriado para eles poderia se tornar uma doença mais séria para mim.

Cirurgia e sessões de quimioterapia e radioterapia ocorreram em um período de seis meses.
Cirurgia e sessões de quimioterapia e radioterapia ocorreram em um período de seis meses.

Poços Já: O tratamento demorou quanto tempo?

Zezé: Foram seis meses, entre quimioterapia e depois a radioterapia de 33 dias seguidos, que é o indicado.

Poços Já: Os próprios pacientes que você conheceu te ajudaram a ficar com a cabeça no lugar

Zezé: Você vê o câncer nas mais diversas possibilidades, é inacreditável. Pessoas, às vezes, em condições muito piores do que a gente, mas com muito mais ânimo. Se tornam aqueles anjos que Deus coloca na sua vida. O câncer nos dá boas lições de vida e nos faz encontrar verdadeiros amigos. Eu nunca tive tanta gente rezando pela minha saúde. As pessoas que me conheciam e que não me conheciam, mas que iam a Aparecida do Norte (SP) e me traziam santinho, pessoas que foram a Fátima, pessoas que me trouxeram pílulas de frei Galvão, óleos de Jerusalém, terços, lenços de apoio. Uma coisa mais linda, um grupo de amigos que eu tenho chegou em casa com todos de lenço, todas as crianças de lenço. É descobrir pessoas que a gente acha que nem se incomodavam, nem te conheciam, mas que vêm com força, esperança, orações. Foi o que me fez sarar mais depressa.

Poços Já: Como você lidou com fé, religião?

Zezé: A fé é parte importantíssima da nossa cura e eu creio nisso. Mas nunca deixei também que a fé cegasse o lado daquilo que Deus te coloca, que é o conhecimento do médico, das pessoas que estão nessa outra área. Eu ouvi histórias de pessoas que, quando aparece caroço no seio, ficam pedindo milagres. Temos que nos manter de uma maneira lógica, com uma fé viva, que crê em um outro lado que pode nos ajudar. Conversei muito com o meu médico, fui a um profissional que eu jamais pensei que iria, que é um psicólogo, porque meu médico mandou. Chega um momento em que você fica muito incomodado com a pena das pessoas.

Poços Já: Aí parece que as pessoas estão te tratando como se você fosse morrer.

Zezé: Isso, talvez fosse isso. Fui à psicóloga e falei disso, que me incomodava muito. As pessoas me olhavam como um ET, primeiro porque fiquei careca. Todo mundo já sabe, se está careca é porque está com câncer. E segundo porque continuei minha vida pública e aparecia careca. Muita gente se incomodou com isso, mas se eu parasse ia ficar doida dentro de casa, sem nada para fazer. Eu não ia ficar parada em um registro de doença. Mas sim em um registro de cura, é isso que tem que fazer. Eu tive que utilizar essa psicóloga, porque no fim eu já estava querendo bater em muita gente (risos).

Poços Já: E como foi o apoio da família?

Zezé: A família fica muito condoída, os filhos ficam sem saber o que fazer. Eu tenho um filho maravilhoso, que é o Chiquinho, que em todas as minhas quimioterapias foi junto comigo. Foi meu companheiro da quimio e se tornou, por conta dos outros filhos morarem fora, a grande fonte de informação. Aí você descobre também que tem aquele filho que é o mais corajoso, porque tem uns que não gostam de hospital.

Zezé conta que recebeu muito apoio durante o tratamento, inclusive de pessoas desconhecidas.
Zezé conta que recebeu muito apoio durante o tratamento, inclusive de pessoas desconhecidas.

Poços Já: O que mudou na sua vida após o câncer?

Zezé: A vida é a melhor coisa que nós temos no mundo. Nada mais vale a pena senão a vida com as pessoas que você gosta. Eu sou chata, continuo do mesmo jeito. Falar que eu virei santa? Nem querendo. Fico emburrada, fico brava do mesmo jeito. Mas consigo mais rapidamente me recompor quando me encontro nessa situação, porque você começa a dar valor no que realmente tem que ter valor. As prioridades da vida são muito simples, nós que armamos um circo. Eu fiquei um pouco mais calma e aprendi a falar não, vi que eu não preciso virar dez. Eu estava ficando sem tempo pessoal, familiar. Nem por causa de política, mas porque me envolvo em duzentas mil coisas (risos). O câncer nos dá uma dimensão, a gente só melhora, porque leva umas rasteiras boas da vida.



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