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Surgimento de novos políticos e menos alienação

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Thiago Quinteiro é jornalista (Foto: Poços Comércio Justo/arquivo pessoal).
Thiago Quinteiro é jornalista (Foto: Poços Comércio Justo/arquivo pessoal).

Quem me conhece já deve ter me ouvido dizer sobre qual eram os pilares para a formação de um agente político lá na Grécia Antiga, no período de Platão e Aristóteles. Na verdade são dois, o primeiro é a isegoria, ou seja, dar o direito de todos falarem, de todo mundo dar uma opinião e, de qualquer forma, a sua contribuição para o desenvolvimento ou para a solução de um problema. Na Grécia de antes se prezava muito o direito de todos falarem. É claro que podemos contestar este “todos” dos gregos, pois escravos, guerreiros e mulheres, por exemplo, não opinavam em nada. Basicamente, somente aqueles que tinham propriedades eram dignos de opinar e decidir sobre situações importantes. A outra sustentação para ser um político é sempre utilizar a parresía que nada mais é que a fala franca, jogar limpo, dizer a verdade para a população.Isegoria e parresía, pode-se dizer que são duas virtudes políticas importantes, mas não vemos isso de uma forma geral nos políticos de agora, nos políticos que se preocupam com eleições e reeleições, que colocam o povo em segundo plano, que mentem descaradamente, o que presenciamos todos os dias são espetáculos protagonizados por nossos políticos com um único objeto permanência do poder. Os políticos são atores, mas atores calhordas, porque não são como os profissionais do teatro ou do cinema que encenam em palcos, nas telas, os políticos estão em cena e utilizam um palco que nos afeta diretamente, a vida real. E para que fulano ou ciclano alcance ou permaneça no poder, nem todo mundo pode falar, pelo contrário, poucas pessoas devem falar,somente aqueles que apoiam o político. Portanto, o que espero para os próximos quatro anos é que a forma utilizada para fazer novos políticos vá untada com isegoria e que tenha como ingrediente fundamental para a massa uma xícara de parresía. Aqui há um paradoxo importante, pois o pedido é simples, diria até fundamental, mas muito difícil de ser um caminho para o político atual. Pra mim, esta geração já foi carcomida pela vontade de poder que permeia o mundo político. Tenho de concordar com o Renato Russo: que venham logo as crianças.

E o que esperar do cidadão? A resposta é mais simples: espero que o cidadão entenda que não deve simplesmente falar tudo que pensa. A geração “coca-cola” de hoje é justamente assim, de falar o que pensa, já que hoje está mais fácil através das redes sociais. Este pedido pode soar de forma estranha, já que tal ação é a demonstração máxima de liberdade. O problema é que o cidadão está falando tudo que vem à tona, mas não está levando em consideração o outro, o efeito do que é dito para o outro.O ser inserido nesta hipermodernidade, para não se perder nesta fluidez da realidade está cada vez mais se auto afirmando, se mostrando e dizendo tudo que pensa sem perceber que o que constitui o ser é sua identidade e sua diferença (os outros). Não faz sentido menosprezar o outro, se auto afirmar com o objetivo de ter o poder. Qual seria a importância de se ter um rei, numa terra repleta de zumbis? O ser vive hoje numa alienação do outro. E estamos bem longe de se ter um fim para tal.

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*Thiago Quinteiro é jornalista, especialista em Filosofia Contemporânea pela PUC (Poços) e graduando em Filosofia (licenciatura) pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).



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