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Brasil e o racismo latente do seu povo

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Novos casos de racismo no futebol surgem a cada dia e inundam as manchetes de praticamente todos os meios de comunicação de massa do país. O mais famoso foi aquele que aconteceu durante uma partida pela Copa do Brasil, realizada na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, entre o time gaúcho e o Santos Futebol Clube, quando a torcida gaúcha entoou cânticos racistas para os adversários enquanto seu time perdia o jogo.

O goleiro do time santista, apelidado de Aranha, recebeu outro epíteto por parte da torcida gremista. Trocaram de animal e o chamaram de macaco. Ele não gostou da troca do apelido (eu também não gostaria) e chiou com o árbitro que, além de não tomar nenhuma providência, ainda deu uma tremenda bronca no bicho-goleiro.

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Uma emissora de TV que transmitia a partida gravou a imagem de uma torcedora do Grêmio, Patrícia Moreira, xingando o goleiro de macaco. E a imbecil virou vítima, sofrendo ameaças pela internet. Posteriormente ela prestou depoimento em uma delegacia, negando sua condição de racista e deu uma declaração à imprensa, chorando de mentira e pedindo perdão a tudo e a todos.

E a imprensa passou todo esse tempo discutindo esse acontecimento como se ele fosse algo de extraordinário. Mas nós, pretos e morenos, sabemos que não é assim. O preconceito sempre existiu por aqui, de forma velada. Eu, que tenho no meu documento de reservista do exército brasileiro a classificação de pardo, sei muito bem disso.

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Desde criança tive apelidos que remetem à minha cor morena. Quando criança era “Neguinho”. Depois “Nego” e “Negão”. São chamamentos que podem traduzir carinho e intimidade ou simplesmente o preconceito. Depende da boca que os expressa. Tenho certeza de que os ouvi muito mais na forma pejorativa do que de maneira carinhosa.

Mas nunca me fizeram mal, porque tenho a convicção de que a cor da pele não traduz o caráter de ninguém. E principalmente porque tenho muito orgulho de ter essa cor que é a cor da miscigenação, de onde nasceu um povo genuinamente brasileiro, conquanto, discriminado na sua própria terra.

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O mais estranho disso tudo é saber que existem pessoas que acreditam viver num país diferente. O exemplo acabado disso é a torcida racista do Grêmio – somente a racista, porque nem todos os torcedores o são – que também tem jogadores negros e mestiços e que se acha no direito de gritar insultos para jogadores de outras equipes.

Mas isso não é novidade. O racismo existe, forte e inabalável, por todo o país. E ele vem de longe. Vem principalmente da terça parte das nossas origens debitada aos portugueses, povo que esteve entre os maiores traficantes de escravos negros do mundo, no passado, juntamente com holandeses, franceses e ingleses.

Grande parte da nossa população –  que se acredita acima do bem e do mal e livre da miscigenação – acaba de se manifestar de forma lamentável e variável nas redes sociais e outros meios de comunicação. Estes veículos repercutiram declarações injustas e imperdoáveis contra os nordestinos, proferidas tanto por pessoas (antes) consideráveis quanto por idiotas que não se olham no espelho e nem vislumbram o seu passado.

Isso demonstra claramente que o racismo e a intolerância estão fortemente incutidos na cultura local, contrariando a falácia difundida continuamente de que somos uma democracia racial. Se assim fosse, seríamos a única no mundo. Os acontecimentos recentes vêm, pesarosamente, confirmar que isso não passa de utopia usada para enganar principalmente os discriminados, parte mais pobre da população.

E não creio que exista algo que possa modificar esse comportamento, principalmente por causa da falta de educação do nosso povo. Como não existe punição exemplar para todos os agressores, a tendência é que as ocorrências aumentem cada vez mais. Os falsos perfis das redes sociais facilitam a incidência desses fatos que, lamentavelmente, repercutem nos outros meios de comunicação.

Assim, um círculo pernicioso é criado e perpetuado com o racismo e a intolerância grassando incólumes pelas coloridas terras brasileiras, enquanto se alimenta a falsa ideia de que vivemos numa democracia racial.

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