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Sobre a Loucura

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loucurq-500x390Caros amigos e leitores, no último dia 18 de maio foi celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. E assim como acontece todos os anos, houve passeatas, protestos e mobilizações pra que essa realidade seja implantada no Brasil. Mas para que isso ocorra, é necessária a conscientização da população, e como sempre, é aí que a coisa esbarra.

Mas do que se trata essa luta?

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A loucura sempre foi um tema central na evolução humana e, historicamente, nunca teve uma atenção devidamente voltada a ela. Nos séculos passados, os únicos responsáveis pelos “loucos” eram apenas suas próprias famílias.  A tecnologia farmacêutica não era avançada como é nos dias atuais, e era muito comum ver andarilhos e doentes mentais surtando ao ar livre e pra quem quisesse ver. Logicamente, eram alvos certeiros de preconceito e desrespeito por parte da sociedade. Eram livres, mas aprisionados em sua própria condição de sofrimento, angústia e estigma.

Com a evolução da ciência e das políticas de saúde, maior atenção passou a ser dada a essa população. Criaram-se sanatórios, manicômios, que foram carinhosamente nomeados de hospitais psiquiátricos. Tal nome pode ter sido criado para passar pra população uma impressão de ambiente de cura, e talvez até fosse mesmo o propósito, mas não foi isso que se mostrou na realidade. Alguns símbolos dessas instituições ficaram marcados em nosso imaginário, como por exemplo, “a camisa de força”. Leitos com amarras para pernas e braços, medicação “acalma leão” aplicada na veia do sujeito, condicionamentos comportamentais pautados na punição e na dor, tudo isso são características desses estabelecimentos. O que era pra ser curativo, tornou-se uma prisão, onde torturas físicas e psicológicas eram aplicadas dentro da lei. Óbvio que não podemos generalizar, pois muita gente melhorou. Mas também muitos se feriram, enlouqueceram ainda mais e morreram nesses lugares. Virou tema pra filme de terror.

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Pois bem, a ciência evoluiu mais ainda, e com ela, os direitos humanos. E hoje, felizmente, temos uma visão otimista desse quadro: os “loucos” podem ser livres, podem viver e conviver em paz, podem ter acesso a um tratamento muito mais humano, e o mais importante, podem ser senhores de si próprios. Uma rede bem articulada permite isso, os sujeitos não ficam mais internados, mas sim possuem espaços diários de convivência, onde recebem tratamento e atenção adequados, e são livres para exercer seu direito de ir e vir. São livres para ter família, amigos, profissão. Os melhores exemplos do sucesso desta política são os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).

No entanto, é preciso que a população se conscientize disso, desse momento de mudança em prol dos direitos do cidadão chamado “louco”. Neste contexto, aparece a Luta Antimanicomial. Ainda existem os manicômios, e o número de internações ainda é elevado. Isso acontece porque uma grande parcela da população ainda acredita que esta é a única forma de cura para a loucura (incluindo uma parcela de profissionais da área). Mas afinal, o que é a loucura?

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Essa é uma pergunta difícil de ser respondida. Há quem acredite que somos todos loucos, como por exemplo, Caetano Veloso quando canta que “de perto, ninguém é normal”. Filósofos do passado também refletiram sobre a loucura, como Blaise Pascal, que afirmava que “os homens são tão necessariamente loucos, que não ser louco significa ser louco de um outro tipo de loucura”. Há ainda os que creem que a classificação “loucura” é apenas mais uma forma de padronizar o comportamento humano, e talvez eles tenham mesmo razão.

Existem manuais de classificação de doenças, como o CID ou o DSM, que caracterizam os “transtornos mentais”, termo técnico/científico utilizado para nomear a loucura. Por meio de características sintomáticas, classificam os diferentes tipos de transtorno. Entretanto, até essas classificações são questionáveis. Apesar de terem um sério aparato científico para determina-las, há muita discussão acerca da real necessidade destas classificações. Uns defendem que sem elas é impossível traçar um prognóstico e uma terapêutica adequada, outros dizem que a classificação da doença limita a visão do ser como um todo, pois antes de ser um doente ele é um ser humano e deve ser tratado e respeitado como tal. Se cada um procurar saber a respeito, irá tirar suas próprias conclusões. Talvez esse seja mesmo um dilema sem solução.

O fato é que qualquer pessoa portadora de qualquer transtorno mental, se tratada adequadamente e com respeito, é capaz de conviver tranquilamente em sociedade. Pode fazer isso até mesmo sem que ninguém perceba que ela sofra de algum mal. Tal fulano poderá trabalhar, estudar, constituir família, e até mesmo ser muito bem sucedido em sua vida, havendo tratamento adequado e respeito. Assim como um diabético ou um hipertenso, que se tratado adequadamente poderá levar sua vida normalmente, também um depressivo, bipolar ou esquizofrênico o fará. Basta que o enxerguemos, antes, como um ser humano, cheio de vontades, amores, frustrações e sonhos. E também de loucuras, assim como você e eu.

O autor é psicólogo.

Contato: facebook.com/espacodeser ou anderson.loro@uol.com.br

Consultório: Rua Prefeito Chagas, 405, sala 2

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